| O Hospital
Em 17 de março de 1951, no Rio de Janeiro, o médico Napoleão Rodrigues Laureano reuniu jornalistas, autoridades e colegas em uma mesa redonda no jornal Diário Carioca. Gravemente enfermo, Laureano fez um apelo emocionado: que fosse criado um centro de combate ao câncer em João Pessoa, sua terra natal.
“Não peço para mim, mas para meus patrícios, para milhares de brasileiros vítimas do mesmo mal. Quero ver fundado pelo menos um centro de combate ao câncer, ainda antes de morrer”, declarou Laureano, em discurso que mobilizou a opinião pública.
A repercussão foi imediata. Emissoras de rádio anunciaram campanhas de arrecadação e, em pouco tempo, a solidariedade popular garantiu recursos significativos. Para gerir os donativos, nasceu a Fundação Napoleão Laureano, com nomes de peso como Pompeu de Souza, Ruy Carneiro e Mário Kroeff em sua primeira diretoria.
No dia 31 de maio de 1951, Laureano faleceu no Hospital Gafrée e Guinle, no Rio. Mas sua luta não terminou ali. Sob a liderança do deputado federal Janduhy Carneiro, que apresentou projeto de lei para liberar 100 milhões de cruzeiros, o sonho se concretizou. O presidente Getúlio Vargas sancionou a medida, garantindo recursos não apenas para o Hospital Laureano, mas também para o Instituto Nacional do Câncer e outras entidades.
A inauguração do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, representou um marco na saúde pública brasileira. Mais que um centro médico, tornou-se símbolo da mobilização social e da consciência nacional sobre a importância do combate ao câncer.
Até hoje, o hospital mantém sua relevância. O Dr. Antonio Carneiro Arnaud, primeiro diretor da instituição, segue atuando como Diretor Financeiro da Fundação Laureano, exemplo de dedicação contínua à causa.
Referência internacional
O Hospital Napoleão Laureano, instalado em João Pessoa, na Paraíba, foi citado, em 2025, no ranking internacional ‘Hospirank’ dentre as dez unidades hospitalares com “maior base instalada para tratamento de câncer” no Brasil.
Na mesma categoria o Hospital Haroldo Juaçaba, instalado no Ceará, também é citado, porém, é superado pelo ‘Laureano’ em número de equipamentos destacados. (Veja ranking ao final do texto)
O ‘Hospirank’ baseia-se em dados concretos que documentam as quantidades de equipamentos básicos instalados e foi desenvolvido para identificar os principais hospitais de cada país.
De acordo com especialistas, o HospiRank é um valioso recurso que permite que fabricantes de dispositivos médicos vejam quais hospitais possuem tipos específicos de equipamentos. A ferramenta também serve como referência para administradores hospitalares, permitindo que comparem suas instituições aos hospitais do ranking em termos de números de equipamentos.
Histórico
Criado pela Global Health Intelligence (GHI), empresa líder mundial em análises de dados do mercado de saúde da América Latina, o HospiRank oferece mais de 140 dados específicos por hospital, abrangendo quase 90% dos hospitais da região. O seu sistema é alimentado por informações do HospiScope, o maior banco de dados do mundo sobre hospitais latino-americanos. A Global Health Intelligence criou o HospiScope em 2014 e seu time de pesquisadores atualiza e amplia continuamente os dados disponíveis na ferramenta. Equipes de vendas, inteligência empresarial e marketing de fabricantes de equipamentos e dispositivos médicos utilizam o HospiScope para identificar oportunidades comerciais. O HospiRank lista os hospitais mais bem equipados em vários mercados latino-americanos, abrangendo tanto mercados hospitalares grandes – entre os quais Argentina, Brasil, Colômbia e México – como os menores, incluindo Chile e Peru.
Legado
O Hospital Laureano nasceu de um gesto altruísta e se consolidou como referência no tratamento oncológico. A mobilização popular e política em torno da causa inaugurou uma nova fase da luta contra o câncer no Brasil. O legado de Laureano mostra como iniciativas individuais podem gera impacto coletivo e estrutural na saúde pública.
Confira ranking: